Sistema OCB/DF leva cooperativas do Distrito Federal a imersão internacional em Mondragón
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Com apoio da Confebrás, iniciativa conectou lideranças cooperativistas, alunos em formação e cooperativas reconhecidas nacionalmente a uma das principais referências mundiais do cooperativismo
O Sistema OCB/DF promoveu uma imersão internacional em Mondragón, no País Basco, na Espanha, para aproximar cooperativas do Distrito Federal de um dos ecossistemas cooperativistas mais reconhecidos do mundo. A iniciativa teve como objetivo ampliar repertórios, fortalecer lideranças e proporcionar contato direto com práticas consolidadas em governança, intercooperação, educação cooperativa, banco cooperativo, liderança, inovação e desenvolvimento territorial.
A experiência também integrou a jornada de formação dos alunos de reciclagem da turma recém-formada do curso de Tecnólogo em Gestão de Cooperativas, reforçando o compromisso do Sistema OCB/DF com a formação continuada e a aplicação prática do conhecimento cooperativista.
Além disso, cooperativas reconhecidas no Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão também foram contempladas com a oportunidade. A Cooplem conquistou o troféu Bronze, no nível Primeiros Passos, enquanto a Coopersystem foi premiada com o Prata, também na categoria Primeiros Passos. A viagem contou ainda com o apoio da Confebrás.
O Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão é a maior iniciativa nacional do Sistema OCB voltada ao reconhecimento de cooperativas brasileiras com as melhores práticas de governança e gestão, destacando competitividade, eficiência e impacto social. Realizada a cada dois anos, a premiação reconhece cooperativas nas categorias Ouro, Prata e Bronze.
Ao longo da programação, a comitiva conheceu experiências que conectam educação, trabalho, governança democrática, intercooperação, proteção social, inovação, liderança e desenvolvimento territorial. Para o Sistema OCB/DF, a imersão representa uma oportunidade estratégica de observar modelos bem-sucedidos e refletir sobre caminhos capazes de fortalecer ainda mais as cooperativas do Distrito Federal.
Segundo o presidente do Sistema OCB/DF, Remy Gorga Neto, a imersão reforça o papel do conhecimento na construção de um cooperativismo mais preparado para os desafios atuais.
“Momentos como este nos ajudam a olhar para experiências consolidadas e compreender, na prática, como o cooperativismo pode gerar desenvolvimento, fortalecer pessoas e transformar territórios. Mondragón mostra que não basta falar em cooperação. É preciso criar estruturas, formar lideranças, investir em governança e manter vivo o compromisso com o coletivo”, destacou Remy.
A programação teve início no Centro de Formação Otalora, com apresentação sobre a história e a estrutura da Corporação Mondragón. O encontro abordou as origens do modelo, a trajetória de José María Arizmendiarrieta e a construção de um sistema cooperativo baseado na educação, no trabalho e na formação de lideranças. A comitiva também conheceu os fundamentos da cooperativa de trabalho associado, em que o cooperado é simultaneamente trabalhador e proprietário, com participação democrática nas decisões estratégicas e gestão profissionalizada na operação.
Ainda no primeiro dia, o grupo realizou visita técnica à Fagor Ederlan, cooperativa industrial integrada ao Grupo Mondragón e referência global no setor automotivo. A atividade apresentou um modelo em que tecnologia, eficiência produtiva, gestão social e identidade cooperativista caminham de forma integrada. A experiência mostrou como uma cooperativa pode atuar em ambiente industrial de alta complexidade, com presença internacional e capacidade de competir em mercados globais sem abrir mão de seus princípios.
Um dos pontos centrais da visita foi o conceito de solidariedade responsável. No ecossistema Mondragón, a cooperação entre organizações não se sustenta por assistencialismo, mas por corresponsabilidade, eficiência e compromisso com a sustentabilidade econômica. Esse aprendizado reforçou a importância de modelos que conciliem apoio mútuo, autonomia e resultados consistentes.
No segundo dia, a comitiva conheceu a Laboral Kutxa, entidade financeira do Grupo Mondragón, fundada para viabilizar crédito às cooperativas e aos seus membros. A visita apresentou o funcionamento de um banco cooperativo com forte compromisso social, governança democrática, solidez financeira e reinvestimento no território. Também foram destacados mecanismos de retorno cooperativo, dividendo social e apoio ao empreendedorismo, demonstrando como o sistema financeiro pode atuar como instrumento de desenvolvimento coletivo.

A agenda também aprofundou o tema da intercooperação, com apresentação sobre os mecanismos que sustentam a integração entre cooperativas em Mondragón. O modelo reúne cooperativas autônomas, mas conectadas por estruturas comuns de educação, finanças, proteção social, pesquisa e desenvolvimento. A intercooperação foi apresentada como uma prática concreta, materializada em compras conjuntas, mobilidade de talentos, fundos de apoio, realocação de trabalhadores e compartilhamento de recursos.
Para Remy Gorga Neto, esse é um dos aprendizados mais importantes para o cooperativismo brasileiro.
“A intercooperação precisa ser cada vez mais compreendida como uma estratégia de desenvolvimento. Quando cooperativas se conectam, compartilham conhecimento, constroem soluções conjuntas e fortalecem seus territórios, todo o sistema avança. Essa é uma reflexão muito importante para o cooperativismo do Distrito Federal”, afirmou.
Outro eixo estratégico da imersão foi a educação cooperativa. Em Mondragón, a formação contínua é tratada como condição essencial para preservar a identidade cooperativista, qualificar a participação dos sócios e preparar lideranças para decisões de alto impacto. A comitiva conheceu a diferença entre educação cooperativa, voltada a metodologias de colaboração e trabalho conjunto, e educação cooperativista, focada em história, valores, responsabilidade, identidade e funcionamento institucional do modelo.
A programação também proporcionou uma imersão na vida e no legado de José María Arizmendiarrieta, fundador da experiência cooperativa de Mondragón. Em visita à Paróquia São João Batista, local diretamente ligado à sua trajetória, a comitiva conheceu a dimensão humana, social e filosófica que deu origem ao ecossistema basco. A atividade destacou como Arizmendiarrieta transformou necessidades concretas da comunidade em instituições voltadas à educação, ao trabalho, ao crédito, à pesquisa e ao desenvolvimento social.
Na sequência, o grupo participou de apresentação sobre empreendedorismo e inovação na prática, com o caso da Euskape, empresa criada por um jovem empreendedor formado pelo ecossistema de Mondragón. A experiência demonstrou como metodologias de aprendizagem ativa, como o “aprender fazendo”, podem estimular novas gerações a desenvolver negócios reais, soluções aplicadas e competências ligadas à liderança, comunicação, trabalho em equipe, sustentabilidade e cooperativismo.
A agenda foi concluída com uma vivência sobre liderança cooperativa, conduzida por Mónica Vaz Iglesias, diretora de negócios e ex-presidente da Fagor Electrónica. Primeira mulher a assumir a presidência da cooperativa, Mónica compartilhou sua trajetória nos órgãos de governança e destacou a liderança como serviço à comunidade de sócios. O encontro abordou participação democrática, alternância de poder, formação técnica, liderança feminina, conciliação entre vida profissional e familiar e responsabilidade na tomada de decisões.
Para o Sistema OCB/DF, a imersão reforçou que o cooperativismo de referência internacional se sustenta pela combinação entre valores e estruturas práticas. Educação permanente, gestão profissional, governança democrática, inovação, proteção social, intercooperação, liderança responsável e compromisso territorial aparecem como elementos integrados de um mesmo modelo.
“Voltamos com referências importantes, mas também com a convicção de que o cooperativismo do Distrito Federal tem muito potencial para avançar. Conhecer experiências como Mondragón nos inspira a fortalecer nossas cooperativas, ampliar conexões e transformar aprendizado em ação concreta. O cooperativismo se constrói com pessoas, com visão de futuro e com compromisso permanente com a comunidade”, concluiu Remy Gorga Neto.
A participação no intercâmbio integra o movimento do Sistema OCB/DF de promover conhecimento, fortalecer lideranças e ampliar conexões estratégicas para o desenvolvimento das cooperativas do Distrito Federal. Ao envolver cooperativas reconhecidas nacionalmente, alunos em jornada de formação e instituições parceiras, a iniciativa reforça o papel do Sistema OCB/DF como articulador de experiências capazes de transformar aprendizado em desenvolvimento cooperativista para o território.
